O bonzinho - parte III

sábado, 12 de março de 2011

A medida que crescemos tende a crescer em nos a necessidade de aprovação. Desnecessário descrever aqui o que precisamos fazer desde uma tenra idade para que sejamos socialmente bunitinhoscoisalindadamãe.
Temos que nos enquadrar, nos encaixar e nos alinhar a padrões, é fato inexorável para humanos e primatas. Sim os amiguinhos da selva, e dos zoológicos, com os quais compartilhamos mais de 90% do genoma, também se esforçam para serem queridinhos.
Ser bonzinho facilita em muito esta empreitada egoíca.
Em algum momento da vida escolhemos uma expressão de  religiosidade ou somos escolhidos pela força de uma. Mesmo o ateu se expressa a respeito.
O estilo bonzinho  pode então se tornar uma doença do ser.
A doença do fariseu, a doença do religioso de qualquer vertente que decide tomar pela mãos as rédeas do ser e estar no mundo.
A recompensa imediata para o bonzinho é o ambiente acolhedor livre de animosidades, sem resistências e repleto de adulações. É praticamente a volta para útero materno!!
Esta ambiência mantém o bonzinho sentado em berço esplêndido, na inercia, contemplando e avaliando como é gostosinho não ser confrontado em nenhum momento crucial da vida. Oh Glória!
Nicodemos era bom, vamos combinar. Leia lá em João, filho do trovão cap 3.
Como todo bonzinho, ele não tinha peito para encarar uma briga, portanto foi procurar furtivamente o famoso Jesus, a noite.
Eu imagino Nicodemos disfarçado com aquela mascara de óculos, nariz grande e bigode falso.
Ele era mestre da lei, figura respeitada, generoso, popular, membro do Sinédrio o que já lhe conferia  a alcunha de bonzão. Tinha conhecimento, tinha boas obras, boas intenções mas tudo isso não bastava!
E isto não digo eu, até porque calada já estou errada. É vaticínio de Jesus!
Nascer de novo é necessário e pouco podemos fazer  durante o processo.  Jogar-se no colo do Pai, feito criancinha nua, indefesa que não tem para onde ir, é o enredo. Nasce em nós como em Maria a eternidade de Paz. A desconstrução egoíca acontece, aniquila-se os maneirismos e toda e qualquer barganha com Deus e com os homens deixa de fazer sentido.
Com certeza este é o ápice do existência humana, nenhum primata tem este privilégio. Podemos colocar no macaco um paletó ou saia até o chão e treiná-lo para que nunca  mais tome vinho ou fume um caximbo, podemos ensiná-lo a ter jeito de religioso e fazer um carteirnha de membro com foto e tudo, porém jamais ele renascerá.

Entende tu o que Ele diz?


Ficar indefeso dói, contudo ser moldado pelo Oleiro expertise é algo que nos faz renascer e isto vale para todos, sejam evangélicos, protestantes, católicos, budistas, ateus, atoas e aos etc.


Vale para mim, garanto.

3 comentários:

Cláudio Nunes Horácio disse...

kkk, to aqui imaginando o macaquinho kkk. só tu mesma mana.

fabio chalela disse...

è por estas e outras razões que sou apaixonado pela mensagem da cruz. lá tinha ladrões ao lado e Cristo no centro, ou seja, n importa se sou bonzinho ou malzão e sim se olho pro caminho do centro (neste caso não é questão geografica e sim olhar pra Cristo). sigo tendo medo de viver com gente perfeita, só me dão fiasco...

Eduardo Medeiros disse...

drica, permita-me colar aqui um trecho de um texto que o levi escreveu para a confraria:


"Ah, se pudéssemos compreender que no cerne do cristianismo há uma grande metáfora que quer mostrar exatamente a impossibilidade de viver sem a ambivalência, sem esse confronto dos afetos contraditórios. A história do cristianismo é uma história inversa de um Deus correndo atrás do homem. O cristianismo se resume na busca dos “anjos caídos do céu”, e que está muito bem explicitada no “Eu vim buscar o que se havia perdido”, dito por Cristo. E o que se havia perdido ou jogado fora, nada mais é do que o outro lado da moeda, que representam os nossos afetos transgressores, descrito de forma alegórica, como “os anjos que resolveram discordar” da autoridade máxima, que exigia silêncio, glórias para si, e não a conversação ou a troca de idéias."

http://cpfg.blogspot.com/2011/03/dificil-arte-do-dialogo.html

beijos

 

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