Uma palavra aos desigrejados

domingo, 16 de maio de 2010

Por Marcus Vinicius
                         
Na blogosfera esta semana um assunto em pauta: "os desigrejados", termo que eu ainda não conhecia e que apareceu num blog que gosto muito. Fiz dois comentários lá, mas quero me atrever aqui a escrever um pouco mais. Sem a pretensão de saber tudo.

Como comentei em um dos post's fiz uma viagem recente por três livros sobre igreja: Igreja Orgânica, Reimaginando a Igreja e Reformissão. Cada um tratando o assunto vida da igreja e existência da igreja de um ponto de vista diferente. Todos preocupados com o que vive a igreja hoje. Esta viagem me ajudou a equilibrar ânimos e desânimos referentes a igreja. Então vamos lá.
> Em primeiro lugar discordo do termo "desigrejados". Por quê? Termos paralelos aparecem, tais como: movimento dos sem igreja; filhos bastardos da igreja, etc. No mínimo acho pretensiosa tal denominação, pois carece de significado histórico. Ou será que os que assim apupam a seus irmãos esquecem que os cristãos eram "Haeresis" do judaismo? Há que se separar pessoas frustradas com o hiper-dogmatismo institucional de pessoas rebeldes e insubmissas.

> Em segundo lugar definir que todos os que "saem" da igreja (instituição) deixaram a Igreja (assembléia dos salvos) é no mínimo confusão de informação. Especialmente se ao dizer isto, quem diz afirma que tais que saíram o fizeram ou porque estão em pecado e não querem ser confrontados; ou porque desejam construir um mundo paralelo, uma Matrix eclesiológica. Esquecimento histórico 2: quase todas as igrejas livres que existem são acusadas de serem facções de denominações históricas (rebeldes também?). Algumas são facções das novas facções.

> Em terceiro lugar a maior parte dos bons dicionários bíblicos reconhece que o termo igreja não corresponde a nenhum edifício (endereço e horário fixo); ou organização oficial (CNPJ, estatutos, reconhecimento público, etc.). Um deles diz: uma congregação local de cristãos (Dic. da Bíblia - Douglas, Vida Nova). Então o que vale é com quem congrego e não onde e quando congrego.
Minha palavra aos desigrejados: eu entendo vocês. Ainda sou de uma igreja institucional por vários motivos. Mas entendo o peso e tamanho das diversas decepções acumuladas (as carrego comigo). Aos críticos só posso concordar em uma coisa: o movimento das igrejas simples, orgânicas, em casa, no shoping, seja o nome que se der, só perde em valor se aderirem ao pensamento histórico que é nosso (denominacional): se se tornarem sectários também.

Neste casos vocês estarão corretos na crítica. Fora isso não existem desigrejados, existem os que estão sendo deserdados pelos institucionalizados que precisam defender posições - mas isto é assunto para o próximo post.

Graça e paz, sempre (aos irmãos, todos, que amam o Cordeiro e são filhos de Abba, não de placas).
 
 

2 comentários:

René disse...

Amada Adriana,

Já tinha lido essa postagem no blog do Marcus Vinícius. Gostei muito.

Digo a você, o que disse a ele: também publiquei um texto com conteúdo parecido, um pouco mais completo e extenso. Caso você queira dar uma lida e seus leitores também, o endereço é: http://kasteloforte.blogspot.com/2010/05/porque-nao-vou-mais-igreja.html

Tenho certeza que ele servirá para nossa edificação no Senhor.

Que a Paz do Senhor Jesus continue com você, sua família e seus leitores!

Eclesiartes disse...

Tem muito igrejista, achando por aí que quem não quer mais ir à instituição, o faz porque está magoado com alguém.
Pode até ser em muitos casos, mas tiro por mim que não é bem isso.
Quando entendemos a Graça como Jesus e Paulo pregou, percebemos que nenhum sacrifício é necessário. Até ficamos com aquele sentimento de "I was sucker", mas conseguimos entender que foi um tempo necessário para nosso aperfeiçoamento e todos passam por essa fase.
Quando vejo algum igrejista hoje, consigo manter a calma na maior parte do tempo. Quando ele não me entende, apenas faço perguntas que o ajudam a raciocinar. Deixá-lo com dúvida já é um ganho.
Saí da última instituição cristã sem nenhuma rixa com quem quer que seja. Saí porque não vi mais necessidade de cumprir nenhum sacrifício.
Simples assim.

 

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