O bonzinho - parte IV

quarta-feira, 16 de março de 2011

Meu irmão, pastor presbíteriano, teólogo todo pimpão, diz que só Deus consegue amar o religioso pois nem Jesus gostava deles. Claro que é uma anedota, "piadinha interna", porém...
O espectro da "justiça própria" paira sobre a humanidade quando falamos de religiosidade.
Posso falar com propriedade pois viajei por estes labirintos e já sofri (muito mais do que hoje) deste cancêr que deixa a consciência em estado de putrefação.
Te convido a passear pela alegoria cujo  os protagonistas são publicano e o fariseu, leia lá no livro do doutor Lucas 18:9-14.
Imaginem a cena proposta por Jesus. Um coloca Deus no alto santo monte da avaliação, no observatório onde o "olho que tudo vê" (imagem arquetipica que assombra todas as civilizações da terra!), de lá ele usa a lupa divina para investigar o curriculum vitae e performances das formigas humanas.
Surge então a mão divina que dá aquele tapinha nas costas do bom moço fomentando ainda mais esta gana por ser "o cara".
Por outro lado vejo o publicano. Ele se sabe "titica", não têm obras a apresentar, com certeza ele não é de todo mal, ninguém é 100% decepcionante. Contudo ele não empreende energia para mostrar os pontos positivos de sua existência.
Onde focamos nossa energia?
  • Em montar vitrine para o "inglês ver" (expressão usada por minha vozinha para explicar outra expressão "por fora bela viola por dentro pão borolento")?
  • Tentando convencer meu eu de que tudo está bem, eu sou limpinha e que certamente andarei pelas  cobiçadas ruas de ouro e cristal, a tal Tiffany celeste?
  • Garantindo minha tranquilidade, tendando ter bom entendimento do evangelho, frequentando um igreja de segunda a segunda , saudando aquele que me saúda, gozando aposentadoria da consciência, confortável feito um feto?
No publicano eu vejo um homem rendido.

Verdadeiramente confrotado pela impotência e principalmente acalentado por um pai que não só vê tudo mas em Cristo se reconciliou com a "titica" que ele é e que eu sou. Nos podemos retribuir o abraço apesar de sermos quem somos.
O publicano já não era mais o mesmo. Os fruto de arrependimento e as obras? Bom, estas aconteceram naturalmente e sem poder de barganha. É assim que eu creio e não é alegoria.
Mano(a), no colo podemos ser completamente abraçados.Imagine o bebê no colo da mãe!
De pé, todo emperdenido, recebemos aquele tapinha nas costas.
Da rendição certamente virá a redenção.
Se perceber pecador vai além da adesão a conceitos teológicos, de frases feitas que fazem todo sentido mas que não mobilizam nada em nós.

É saber-se insignificante mesmo em meio a atos de bondade e currículo impecável de bom crente.

A ciência me diz que sou um animal racional(?) que possui um tubo digestivo atuante que desenvolveu um córtex cerebral capaz de conexões complexas.
A religião me diz que posso alcançar o céu (de lá ou daqui), caso eu siga regras básicas de conduta comportamental, ao mesmo tempo que me alavanca da ansiedade gerada pela sensação de abandono essencial, mãe castradora de todo ser humano. Sou convencida de que fazendo parte do curral minha necessidade de pertencimento será saciada a contento.


Jesus me diz:

João 11:25
Lucas 14:14

Ainda que existam processos mentais que te mantêm morta e zumbificada, Eu te ressuscito hoje!  E ainda,

Viva com a esperança de que naquele dia, seu corpo sofrerá a transformação definitiva e eterna. Não há morte para você.

Esta é a voz que ouço do Bom pastor.




3 comentários:

Cláudio Nunes Horácio disse...

Mana, "aposentadoria da consciência" já entrou pro meu repertório kkk, muito bom. Sabe Dri, tudo isso é tão básico, tão Evangelho de Jesus e 99% dos cristão não sabem. Como fico grato a Deus que me resgatou da religiosidade para ver. Beijos.

Wendel Bernardes disse...

Drí,
a consciência do homem é sempre voltada para ele mesmo, impedindo-o de enxergar um centímetro que seja adiante de seu narigão religioso!

Sua série baseadas nesse tema tem me feito refletir bastante, viu?
Penso como o Cláudio e dou graças a Deus pelo que Ele já fez em mim, mas sei que o caminho ainda tem alguns metros a percorrer.

Ah, adorei as frases de sua vó e também a do teu irmão.... familinha espirituosa essa, heim!
KKKKKKKKKKKKKKKKK

Beijão!

Adriana disse...

Vocês tem muita paciência com minhas loucuras santas.

obrigado

 

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