Confissões de um pastora (ex neopentecostal) parte III

domingo, 18 de julho de 2010

O que faz uma pessoa praticar certas atrocidades, exalando total falta de amor e se utilizando de uma manipulação rasteira para obter migalhas? Para mim esta resposta veio nesta última década.
A força motriz é uma fé equivocada em portadores de um perfil psicológico Paulino.
Ninguém parava Paulo, nem ele mesmo com suas idiossincrasias e complexidades foi capaz de se boicotar.
Já disse que meu relato não pretende fazer denuncismo, não vou dar nome aos bois, isso não traria alivio tão pouco contribuiria com o lado de lá. A proposta é desenrolar o novelo do meu envolvimento. O porque, o como e o para quê, da minha alma, isto basta.
Estive envolvida em um ativismo frenético que começou com intenção de fazer a tal "obra" e terminou com o total afastamento do que seria fazer realmente a Obra do Senhor.
Se você andou por estes atalhos mal feitos sabe sobre o que estou falando.
O discipulado gira em torno do quanto você se dedica a igreja-clube, o quanto se é fiel a visão, o quanto você é obediente aos mandos e desmandos da deusa mãe.
No meu caso existiu a figura poderosa de uma profetisa que revela seu RG e CPF sem pestanejar, nada de frutos, o impressionante eram os "dons", casada com um líder desprovido de auto-estima marionetado conforme as pulsões da esposa, um pobre títere devoto.
O que me manteve lá por 4 anos foi a proposta de uma igreja-clube aberta ao diferente, sem usos e costumes imbecis, organizada por uma liderança jovem e aparentemente bem intencionada.
Quando comecei galgar os degraus de poder, a viagem às entranhas foi inevitável e comecei ver, ouvir e participar de tudo aquilo que hoje normalmente podemos chamar de formação de quadrilha.
Pesado?
Entendo que não, pois como disse no inicio do texto, tudo é feito na base da fé, acreditasse no deus mesquinho pagão que recebe crianças como sacrifico tal como moloque, acreditasse que uns são mais queridinhos que outros, acreditasse que com a barganha os céus estarão abertos 24hs.
Ora, pelo menos 4 ou 5 precisam fazer a manutenção desta pregação para torná-la acachapante.
Moloque moleque é o deus de alguns neopentecostais. Recebe tudo que é puro, queima, consome mas mantém as bênçãos e céus abertos para os queridinhos.
O último golpe que fez renascer minha consciência, foi quando na porta da igreja uma moça recém saída da ala psiquiátrica, que estivera internada por 20 dias, levou seu dízimo entregou para a pastora shamã e este foi muito bem recebido. Sim, o dinheiro foi bem recebido, ela ficou naquela distância segura que os poderosos estabelecem entre eles e menos amados por seu deus.
Quem e em qual estado de deformidade aceita dinheiro de alguém em tratamento psiquiátrico, que não tem condições de comprar os remédios caríssimos?
Conhece alguém?
Eu conheci.
Naquele dia começou minha jornada para dentro, chorei feito criança, soluçava tanto que mal ouvia meus pensamentos. De duas uma: ou eu era igualzinha ou estava me tornando um deles.
Porque não improvisei um chicote de cordas e sai dando na cara de todos, da portaria ao sagrado púlpito-oráculo?
Simplesmente porque Jesus estava longe de minhas ações.
Daquele momento em diante nada fazia sentido, fui levada ao exílio dentro dos Evangelhos como se fossem minha caverna particular, lá me refugiei. Só conseguia pregar sobre a Graça e me tornei uma estranha no ninho.
Sentia um orgulho santo de nunca ter ensinado sobre dízimos usando como texto base Malaquias 3:10 (um aberração teológica!) mas por outro lado era incapaz de reagir quebrando tudo.
Eu precisava de libertação.
Tal como o gadareno eu fui visitada no cemitério pútrido no qual residia minha espiritualidade.
Tudo corria muito bem em Gadara, cidade que administrava seus negócios e cunhava suas próprias moedas, mas o gadareno sem nome foi a voz do desespero, da revolta e da insurgência ainda que louca.
No exilo encontrei a resposta. O Jesus que me visitava e que estava nos evangelhos não era convidado a entrar naquele "santo lugar", que até então eu chamava de minha igreja.
Não fiz a opção, a Opção me fez, sai correndo sem olhar pra trás, fui liberta da amarras que eu mesma construi e que só Ele poderia destruir.

18 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Drica, achei bem interessante tua frase

"A força motriz é uma fé equivocada em portadores de um perfil psicológico Paulino."

Eu concordo com você. Paulo não era de fato possuidor da "verdeira mensagem de cristo" que segundo ele lhe apareceu e lhe disse tudo como deveria ser?

Não é assim que os paulos modernos agem? Não dizem: "Deus me revelou, me deu uma nova visão para toda a igreja..."?

Gostei também da "aberação teológica" de Malquias.

abraços e beijos

Adriana disse...

Dudu,

Paulo colérico de carteinha, não se deu por vencido acabou o bom combate e guardou a fé.
Imagina esta avidez em uma mente deformada, repleta de delirios de poder?
Pois é, meu amigo seu eu te contar o que eu ouvi e vi, você vai ter mais paciência com o Paulinho.


abraços

estou indo para casa do Senhor prestar culto ao Altissímo, volto já.
Depois que li esta sua declaração resolvi copiar, tudo bem?

diariodumapsi disse...

Ei Adriana,
Obrigada pela visita, adorei ler a sua saga.
Deus te abençoe sempre.
Gd beijo

Regina Farias disse...

Dri,

Arrepiante!

E não por ser novidade pra mim, muito pelo contrário! Por ser o que mais acontece nas empresas, digo, igrejas, e as pessoas, cegas pelas crendices que amedontram, se submetem.

É isso que me arrepia...

Beijo grande,

R.

Zé Luís disse...

Acompanhando...

A tempos e, em silêncio.

É impressão minha, ou o caro Eduardo tem esperanças que você trilhe as veredas que ele descobriu?

Acho que ele não tá entendendo bem seu processo.

Algumas curiosidades, mas aguardemos o desfecho da "saga".

Adriana disse...

legal Zé,

O Dudu tem uma espiritualidade peculiar e singular e quer me converter!!rsss

Brincadeira.

Eu respeito todas as construções pessoais e sei que o relato da minha jornada as vezes dá a impressão que joquei o bebê junto com a água da bacia.
Por conta disto que resolvi escrever sobre a desconstrução e a construção.
Neste processo se deu um encontro fatal e visceral.

Vc esta curioso sobre the day after?

Se não, pode perguntar, sou toda ouvidos.

Zé Luís disse...

"Aquele que começou a boa obra em minha vida é fiel para termena-la..."

Na verdade, a curiosidade é saber em que estágio Deus está te conduzindo.

Ele não nos deixa no vácuo quando resolvemos abdicar destas "obras".

Como disse: o processo de desconstrução, o recomeçar, o abdicar de poder subir em descer pelos andares de um prédio imponente(sabendo que por mais belo, não é o certo) é algo que, para o ego, é extremamente doloroso.

Tenho teses absurdas sobre a forma "semelhante" que estes processos ocorrem em indivíduos específicos dentros das comunidades em geral.

Mas isso é coisa para quando o carregamento de Lexotan for entregue. Quem sabe estarei habilitado a falar sobre o assunto?

Quanto ao Edu:
Ele chega lá...rsrsrsrsr

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Carlos disse...

Adriana...

Alguém ai falou "de tirar o fôlego". E é isso mesmo.

Aguardo ansiosamente os próximos capítulos, mais do que da saga do Joka e do Batima Zoínho!

Adriana disse...

Que isso Mano JC,

Joka e Zoinho são hors concours, verdadeiras pérolas.

abraços

Zé Luís disse...

Um dos autores da saga "joka-zoinho" agradece...

Valeu pela referência, Seu João e Dona Adriana.

João Carlos disse...

Seu Zé e Dona Dri,

Vocês estão com muita 'mudéstcha'...

Pago um pau pros dois!

Eu, pequeno ser aprendiz (!)

Cláudio Nunes Horácio disse...

Dri, é muito bom ver sua trajetória. Que graça maravilhosa de Papai em você. bjão

Anônimo disse...

" Em primeiro lugar, descobri que autoridade é bem diferente de autoritarismo"
Descobri que dons não levam ninguém para o céu,
Descobri que carater é algo que podemos buscar em Deus..se quisermos é claro,
Descobri que no mundo gospel existe interesse ($$) sim e que de onde saí e graças à Deus fui liberta, este interesse ($$) é praticamente a base de tudo....
Descobri que o dom amor, para alguns, é bem limitado....depende de alguns fatores para amar de verdade,
Descobri que se usa o nome de Deus para próprios interesses e coitado daqueles (eu um dia fui uma destas coitadas) que quando ainda não existe uma estrutura na palavra, isto é muito utilizado e dava certo, viu!!
Mas descobri que Deus nos permite viver tudo isto.....e rasga o véu da cegueira espiritual e nos mostra o verdadeiro evangelho, o verdadeiro amor, o que é fazer a obra do Senhor...de verdade.

Pastora Paula

HD disse...

Olá Adriana!!!
Shalom!!!!!
Encontrei seu blog. Amei!!!
Gostei muito, vou tornar-me seguidora.
Ah! Tb tenho um blog, espero sua visita e q se torne uma seguidora.
Deus abençoe grandemente,
Em Cristo,
Suely
http://herdeirosdedeushd.blogspot.com/

Si Caetano disse...

Querida essa confissão é sua?
Acho que a li em outro blog ...

Si Caetano disse...

Querida essa confissão é sua?

Adriana disse...

Si Caetano,

é minha, e pelo que parece outros tbém postaram.

abraços

 

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